Hoje completo 2 meses como colunista do programa #CVExplica da médica psiquiatra Cínthya Verri. Toda quinta-feira, vamos ao ar +ou- 21h, na www.radioeletrica.com.br Após, você pode buscar os podcasts dos programas lá no site. Para ouvir minhas "CRÔNICAS DE OUVIDO" acesse meu SoundCloud: soundcloud.com/acronista
quinta-feira
segunda-feira
ELE NÃO VAI MUDAR
Não se engane: ele não vai mudar.
Caras como ele não mudam. Não é preciso ter devorado a bíblia dos
relacionamentos, nem ser expert afetiva para chegar a essa conclusão. Mas diga,
com o máximo de franqueza e amor à verdade que corre em suas veias, células e
terminações nervosas - você ainda acredita que ele possa se tornar alguém
melhor? Alguém que você desejaria ter ao seu lado ou do lado de dentro?
Não, ele não é pra você. Ele
nunca foi pra você. Nem em duas vidas, nem com os cosmos todos alinhados ele a
faria feliz. A não ser que pra você tudo bem viver com um rombo instalado no
meio do peito e o coração esfacelado. Esse cara nunca esteve nem aí para
preenchê-la. Olhando de perto, ele sequer faz o seu tipo.
Não se engane, menina. Eu sei que
você adoraria uma realidade diferente, que talvez ele fosse diferente - não por
capricho, não para medir forças, apenas para que se tornassem possíveis um ao
outro. Você poderia ser diferente também. E tenho o palpite de que gostaria que
ele entendesse um pouco mais do universo e alma feminina, que tivesse tido cem mulheres
antes de você se isso o ajudasse a saber o que fazer agora que você se foi. Posso
imaginar o quanto acharia incrível se ele não tivesse esse medo infantil de
estar emocionalmente preso a uma mulher. As pessoas mais fortes não têm medo de mostrarem-se
frágeis.
Ele também não é o tipo de cara que assume os erros que comete. Você lembra a última vez que veio lhe pedir desculpas? Possivelmente, não tenha existido. Ou se existiu, você até consegue quantificar com metade dos dedos de uma só mão. A questão não é assumir uma culpa inventada para sentir-se uma pessoa moralmente boa, mas se responsabilizar por si e responder sem grandes dramas às próprias atitudes. Como se explica gostar de alguém que não sabe dividir responsabilidades? Que teve todas as chances de assumir os próprios equívocos?
Lembra da última vez que estiveram
juntos? Ele sabia todas as respostas que o levariam a acertar ou errar. E ele
escolheu pisar na bola outra vez. Quanto prazer existe em fazer doer quem se gosta? Nem
tudo precisa ser dito, mas é preciso que saiba que você nunca esteve lá para
medir forças. Você acreditava, aliás, que força mesmo era quando estavam juntos. Mas da
última vez, como todas as outras vezes, ele considerou apenas as
próprias vontades, como se você nem estivesse lá. Por onde você andava?
Ele não é o tipo de cara que abre
mão do próprio prazer. E faz tudo tão bagunçado que é como se não soubesse quase nada a seu respeito. Mas se até as coisas que ele sabia passou
por cima, como seria possível? Os conflitos eram seu mundo interno pedindo para ser cuidado. Já ouviu aquele papo sobre egocentrismo e egoísmo? O egocêntrico quer todos os olhos voltados para si, enquanto o egoísta tem seus olhos voltados apenas para si.
Aliás, você tinha ideia de que
podia se tornar alguém melhor pra si mesma em tão pouco tempo, menina? É
preciso coragem pra desbravar esse mundo cheio de segredos e um pouco de imaginação para aguentar a realidade. Quando foi que você voltou a sorrir ao se olhar no espelho? Eu vi que da última
vez você sorria.
Agora que você entende, lembre que todo reinício é uma estreia. Nenhum sentimento se repete. As pessoas não se repetem. Nós já seremos outros amanhã. E hoje já não somos mais os mesmos. Nossos fantasmas e terrores noturnos
nos acompanham vertiginosamente, mesmo que atravessemos oceanos na ânsia de
afogá-los.
Mas não se engane, menina! Uma hora
surgirá alguém que irá fazê-la vibrar como nunca antes. Você já se deu conta que está tão cheia
de luz? Uma hora surgirá alguém que vai desejar fazê-la ficar. E você irá ficar.
E se hoje parece sobrar coração pra pouco sentimento, não desanime, menina. Logo
chega alguém para ocupar todos os espaços, preencher todas as ausências, cicatrizar
as feridas e fazer com que você se sinta inteira outra vez. Quanto a ele, ele não vai mudar.
quarta-feira
SÓ HOJE
Se por
algum poder mágico me fosse permitido escolher neste instante entre o
mundo ou o seu mundo, ficaria com o segundo. Especialmente hoje, eu só
queria o prazer de uma dança. Não sei se é porque o verão foi embora e
porque faz frio na minha cama. Talvez seja a saudade – esta sacana,
sussurrando coisas indizíveis, trazendo lembranças indevidas para
debaixo do rebuliço do meu cobertor.
E havendo o prazer da dança, queria também o aconchego do abraço. Abraço de corpo inteiro, abraço que parece beijo, que deseja trazer para dentro, transformando dois corpos em um só. E por falar em corpos, experimentar a paz do meu corpo sobre o seu.
Queria qualquer coisa entre delicadeza e fúria. Mas fúria que representa urgência, pressa, desassossego, como quem implora apenas com o olhar, sem dizer uma única palavra, movendo a boca somente para separar os lábios - quero você, agora, aqui dentro de mim! Todo alívio provém de uma tensão crescente. O gozo, por exemplo, é um alívio. E o tesão, você sabe.
Passar a noite em claro, escutando a sua respiração se mesclar ao barulho da cidade e do meu próprio respirar, me molhando no suor da sua pele, me secando na sua língua e entre os lençóis. Passar a noite sem sentir o amanhecer.
Eu só queria a delícia de acordar sendo observada por você, que gentilmente me desperta enroscando as pernas entre as minhas. Que primeiro desliza as costas das próprias mãos contra a minha pele para ter certeza de que já acordei. E após, traz o rosto para pertinho do meu, como quem pede para ser observado. E vai se chegando, repousando a cabeça sobre o meu colo, implorando silenciosamente pelo toque. E eu toco.
Hoje, se por algum poder mágico me fosse permitido escolher, eu escolhia você. Não sei como acontecem, nascem e surgem essas vontades que vêm do nada e quando vão embora, se escondem sabe lá onde e por qual razão. Mas hoje, você me concede o prazer dessa dança?
E havendo o prazer da dança, queria também o aconchego do abraço. Abraço de corpo inteiro, abraço que parece beijo, que deseja trazer para dentro, transformando dois corpos em um só. E por falar em corpos, experimentar a paz do meu corpo sobre o seu.
Queria qualquer coisa entre delicadeza e fúria. Mas fúria que representa urgência, pressa, desassossego, como quem implora apenas com o olhar, sem dizer uma única palavra, movendo a boca somente para separar os lábios - quero você, agora, aqui dentro de mim! Todo alívio provém de uma tensão crescente. O gozo, por exemplo, é um alívio. E o tesão, você sabe.
Passar a noite em claro, escutando a sua respiração se mesclar ao barulho da cidade e do meu próprio respirar, me molhando no suor da sua pele, me secando na sua língua e entre os lençóis. Passar a noite sem sentir o amanhecer.
Eu só queria a delícia de acordar sendo observada por você, que gentilmente me desperta enroscando as pernas entre as minhas. Que primeiro desliza as costas das próprias mãos contra a minha pele para ter certeza de que já acordei. E após, traz o rosto para pertinho do meu, como quem pede para ser observado. E vai se chegando, repousando a cabeça sobre o meu colo, implorando silenciosamente pelo toque. E eu toco.
Hoje, se por algum poder mágico me fosse permitido escolher, eu escolhia você. Não sei como acontecem, nascem e surgem essas vontades que vêm do nada e quando vão embora, se escondem sabe lá onde e por qual razão. Mas hoje, você me concede o prazer dessa dança?
segunda-feira
SOBRE O EGOÍSMO
A pessoa que nunca abriu mão de nada por você é a mesma que, ao abrir mão de você, não irá comunicá-lo. Egoístas funcionam assim: muito bem. Sozinhos.
sábado
O QUE NASCE DENTRO DA GENTE
Quanto mais visceral e nascido das entranhas melhor – ele me disse.
Pena que nem tudo que surge de dentro da gente nasce bonito – desviei os olhos e lastimei.
Pena que nem tudo que surge de dentro da gente nasce bonito – desviei os olhos e lastimei.
quarta-feira
LIVE AND LET DIE - Quando um amor morre
“But if this ever changing world
In which we live in
Makes you give in and cry
Say live and let die, live and let die.”
Há que se compreender os olhos borrados de rímel que escorre pelo rosto da menina e o sorriso roubado dos lábios do rapaz. Já reparou que todo mundo vira um pouco santo quando morre? Todo amor adquire tons de sagrado ao acabar também. Tem quem se apaixone ainda mais ao ver a mulher partir. Tem quem vire a mulher da vida do cara depois de ir embora.
Vocês viveram momentos incríveis juntos. Apresentaram o próprio mundo um para o outro, dividiram os amigos, as expectativas, os anseios, os medos, as risadas, o ciúme, o amor – foram cúmplices de uma mesma história. Descobriram-se nos estilos de vida parecidos, se estranharam ao darem-se conta de que não eram tão iguais quanto imaginavam e reconheceram que queriam ficar um pouco mais ali. Erraram pra caramba, acertaram algumas vezes, mas, sobretudo, se permitiram viver o amor.
Amanhã você vai acordar e o barulho do despertador vai soar mais irritante. A pilha de trabalhos continuará sobre a mesa, as contas não poderão atrasar, a família precisará de assistência, os amigos vão insistir na sua companhia, você não será considerada mais a mesma caso recuse ir pra balada. Sim, você já não é mais a mesma há tempos. E só quer chegar logo em casa, tirar o salto e se entregar à solidão dos próprios pensamentos.
O que mais dói quando um amor vai parar na UTI não é a soma de tentativas para resgatá-lo. Tentar uma sobrevida talvez não seja o mais inteligente – embora falte um pouco disso e de coerência quando a gente ama a ponto de se perceber do avesso. O que dói quando um amor morre é saber que não tem mais nada a ser feito, mas mais ainda, é ter que deixá-lo partir. Acabou, você entende?
Já não interessa o que não deu certo, onde foi que vocês erraram, não importa o culpado. Experimentem, aliás, dividir a responsabilidade de quem sabe que uma relação é feita a dois. Acusações só irão dificultar as coisas. Às vezes, o silêncio é a melhor resposta. Acredite. Às vezes, o silêncio acaba se tornando um estrondo.
Se um dia você foi corajosa o suficiente para deixar que o amor nascesse, precisará de coragem para deixá-lo partir. Muitas vezes, a morte de tudo o que a gente acredita é que nos ensina a voltar a viver. Como diz a música, “live and let die...” A vida começa todos os dias. Deixe morrer para voltar a viver.
domingo
CARTA PARA O CÉU
Meu para sempre querido, vô,
Acordei com uma sensação estranha. Parecia que tinha sido a última vez que nos veríamos. Ou melhor, que eu veria você. Sabe, depois de tanto tempo eu voltava a experimentar a mesma sensação de quando trouxeram a notícia de que você havia falecido. Nunca esqueci daquele dia. Tava nublado, o tempo se armando para chuva.
Noite passada sonhei com você. E era como se o tempo nunca
tivesse passado para nós. Você trazia flores nas mãos, um sorriso tranquilo na
boca pequena e mantinha os olhos fechados enquanto caminhava em minha direção.
Seus braços eram compridos, e eu podia imaginar
como seria caber em seu abraço. Os cabelos também estavam diferentes, agora
eram bem mais ondulados – mas ainda tão escuros quanto os seus olhos - que eu
não podia ver. É meio louco, mas me senti uma completa desconhecida no meu
próprio sonho. Não tinha autonomia alguma, não importava qual fosse a minha
vontade.
Deve ser verdade mesmo o que dizem, de que a
gente sonha com nossos medos, saudades e desejos. Eu até senti medo no começo,
mas deu uma saudade tão grande e vontade de continuar no mesmo sonho por dias a
fio.
Quando você chegou até mim, se desfez das
flores, deixando que caíssem na terra úmida, e em seguida esticou os braços
compridos na minha direção. Nessa hora tive medo, mas reconhecer sua voz me
aliviou. Você ofereceu a palma das mãos para que eu cheirasse. Disse que flores
cheiravam ternura.
Eu sabia que era você no sonho. Mas com os
olhos fechados o tempo todo, como eu poderia ter certeza que você sabia que era
eu? Como você ainda se lembrava? Por que você não olhou para mim?
Acordei com uma sensação estranha. Parecia que tinha sido a última vez que nos veríamos. Ou melhor, que eu veria você. Sabe, depois de tanto tempo eu voltava a experimentar a mesma sensação de quando trouxeram a notícia de que você havia falecido. Nunca esqueci daquele dia. Tava nublado, o tempo se armando para chuva.
Depois que me contaram que você havia se ido,
lembro que senti uma enorme vontade de ouvir música. Mas como era muito menina,
pensava que era errado fazer qualquer coisa que pudesse aliviar a dor. Hoje não
penso muito diferente, mas eu sei que você gostaria que eu tivesse acompanhada
de música. Você gostava tanto.
Hoje durante o dia, forcei a memória e o seu
rosto me faltou. Já não conseguia mais montar seus traços em minhas lembranças.
Faz tanto tempo desde a última vez. E eu que sempre evitei seus retratos, tô me
sentindo um fracasso. Tentar lembrar alguém que amamos por uma vida e ser
derrotada pelo maldito tempo, pela inabilidade. Legítima insuficiência.
À noitinha, a mãe chegou com flores em casa.
Disse que eram as suas preferidas: “Ele adorava”. Como cheiram bem! Eu até
trouxe um vasinho com uma delas aqui pro quarto. Quando não tem ninguém
olhando, fecho os olhos para sentir o aroma. Só agora eu compreendi, vô. Cheiro
de ternura.
Com todo amor.
Sua neta,
Gabi.
quinta-feira
[CINETERAPIA] PROJETO ENTRA EM SEU 4º ANO
Olá, queridos!
Quem vem aqui com certa frequência, provavelmente já tenha lido sobre o CINETERAPIA - um projeto que eu acho muito legal e que pelo nome entrega de cara a fusão 7ª arte e terapia.
Comandado pela médica psiquiatra Cínthya Verri e o terapeuta Roberto Azambuja, os encontros contam sempre com um convidado bem bacana que escolhe um filme de sua preferência para exibição. Após, é realizado um bate-papo aberto à participação do público, onde a obra é discutida e analisada sob uma perspectiva comportamental.
O CINETERAPIA acontece toda última 2ª-feira do mês, às 20h, no Cinebancários (Rua General Câmara, 424 – Centro), em Porto Alegre.
Dia 25/03 vai rolar a exibição do suspense francês La Cérémonie - Mulheres Diabólicas (1995) de Claude Chabrol. E o convidado é o Mestre em Relações Interculturais Patrick Houdin.
Reservas de ingressos deverão ser feitas pelo e-mail projetocineterapia@gmail.com
Quem vem aqui com certa frequência, provavelmente já tenha lido sobre o CINETERAPIA - um projeto que eu acho muito legal e que pelo nome entrega de cara a fusão 7ª arte e terapia.
Comandado pela médica psiquiatra Cínthya Verri e o terapeuta Roberto Azambuja, os encontros contam sempre com um convidado bem bacana que escolhe um filme de sua preferência para exibição. Após, é realizado um bate-papo aberto à participação do público, onde a obra é discutida e analisada sob uma perspectiva comportamental.
O CINETERAPIA acontece toda última 2ª-feira do mês, às 20h, no Cinebancários (Rua General Câmara, 424 – Centro), em Porto Alegre.
Dia 25/03 vai rolar a exibição do suspense francês La Cérémonie - Mulheres Diabólicas (1995) de Claude Chabrol. E o convidado é o Mestre em Relações Interculturais Patrick Houdin.
Reservas de ingressos deverão ser feitas pelo e-mail projetocineterapia@gmail.com
terça-feira
AMOR ÀS AVESSAS
Nem ela,
nem ele eram bonitos. E sabiam disso. Só não se contentavam com tal condição
porque isso, realmente, nunca os incomodou. Na verdade, curtiam toda essa
contravenção à beleza.
Também
não eram os mais inteligentes. Mas sim, antenados. Mantinham certo movimento
sociocultural. Assistiam a bons filmes, conheciam bons autores, falavam de
música, teatro e até novela com certo desprendimento. Não eram de muitos
preconceitos.
Deixavam
de conhecer pouca coisa um do outro, se sabiam quase que por inteiro. Ainda
assim, sempre havia de existir algo de interessante e novo a ser descoberto.
Quando se
encontravam, os olhos pediam-se em namoro. A boca sussurrava o sim que dançava
até a altura dos ouvidos. A desobediência aos padrões era a principal
testemunha desse amor.
Ela
deixava de ser a mulher perfeita, apesar da vontade dele. Ele deixava de ser o
homem ideal, apesar da esperança dela.
Costumavam
pregar pequenas mentiras a tantos. Mas não conseguiam mentir um ao outro.
Ela não
era de Leão, Câncer nem de Áries. Ele não era de Touro, Peixes ou Sagitário. Desalinhados, eram o inferno-astral um do outro, e isso fazia da relação o verdadeiro
paraíso. Ela não vestia 38. E ele começava a dar sinais da futura perda de
cabelos.
Ela não
era o que ele costumava a considerar bonito, até conhecê-la. Ela também não via atrativos em tipos como ele, antes de encontrá-lo. A falta de perfeição os
perdoava.
Ao contar
piadas ele nunca acertava na comédia. Quando ela ria não era nada delicada. Ele
não tinha frases prontas, desenvoltura para conversas a dois, nem paciência
para almoços em família.
Ela não
era lá muito romântica, controlada e aventureira. Errava nas receitas e adorava
uma dose a mais. Era mais salgada do que doce. Mais Madonna que Maria Rita.
Mais noite do que dia.
Ele não
era bom ouvinte, nem dava os melhores conselhos. Era melhor gourmet que
dançarino. Não vestia as roupas mais bacanas. Arranhava no violão e mandava mal
no inglês. Não era bom em datas. Ele era mais rock do que bossa nova. Mais
chopp do que academia.
Ele não
tinha a mínima intenção de ser o melhor. E ela não saberia viver se não fosse
aos tropeços.
Se amavam do avesso, que para eles era o lado certo. Se amavam tudo que podiam e até mesmo pelo que não
eram.
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